📋 O que você vai aprender neste artigo

  1. Por que o negócio de alimentação lucra tão pouco apesar do movimento?
  2. Como calcular o CMV de um prato com a ficha técnica?
  3. Que percentuais acompanhar no mês?
  4. Quanto o delivery e os aplicativos realmente custam?
  5. Como fazer o fechamento de caixa diário?
  6. Como controlar estoque e desperdício?
  7. Como usar a engenharia de cardápio para aumentar o lucro?
  8. Qual é a rotina financeira semanal de um estabelecimento de alimentação?
  9. Como organizar o financeiro do restaurante no Figreen?
  10. Fontes e referências
  11. Perguntas frequentes
Três atendentes de avental cinza rindo juntos em uma cafeteria.

No restaurante, na lanchonete e na cafeteria, o controle financeiro se apoia em quatro pilares: o CMV (custo da mercadoria vendida) de cada prato, calculado pela ficha técnica, o caixa diário conferido, o custo real de cada canal de venda (salão, balcão, delivery) e o controle de desperdício. Negócio de alimentação costuma ter muito movimento e pouca sobra, e a diferença está nos centavos de cada prato.

Por que o negócio de alimentação lucra tão pouco apesar do movimento?

Porque quase tudo conspira contra a margem: insumos perecíveis, preço de ingredientes que oscila, desperdício, equipe numerosa, taxas de cartão, comissão de aplicativos e cardápios com preços que não foram calculados. Muitos donos sabem quanto vendem por dia, mas não quanto custa cada prato.

É o mesmo problema descrito em empresas que faturam muito, mas não têm lucro, só que com um agravante: a margem de erro é pequena.

Cozinha profissional de restaurante com prateleiras de louças e utensílios.
A ficha técnica de cada prato é o ponto de partida do controle de custos.

Como calcular o CMV de um prato com a ficha técnica?

A ficha técnica lista todos os ingredientes de um prato, com quantidade e custo. O CMV do prato é a soma desses custos; o CMV percentual é o custo dividido pelo preço de venda.

💡 Exemplo prático: hambúrguer artesanal

  • Pão: R$ 1,80
  • Carne (160 g): R$ 5,20
  • Queijo e molhos: R$ 1,90
  • Salada e acompanhamento: R$ 1,70
  • Embalagem e guardanapo: R$ 1,80

Custo total: R$ 12,40. Preço de venda: R$ 32,00. CMV: 12,40 ÷ 32 = 38,75%.

Atualize os custos sempre que o preço dos insumos mudar. Uma ficha técnica desatualizada é pior que nenhuma, porque passa falsa segurança. Para formar o preço a partir do custo, veja como calcular o markup.

Que percentuais acompanhar no mês?

IndicadorComo calcularPara que serve
CMV %Custo dos insumos vendidos ÷ receitaMostra se os preços cobrem os insumos
Custo com pessoal %Folha, encargos e benefícios ÷ receitaPrincipal custo depois dos insumos
DesperdícioValor jogado fora ÷ valor compradoRevela falhas de compra, estoque e preparo
Ticket médioReceita ÷ número de pedidosMostra se o cardápio vende bem
Ponto de equilíbrioCustos fixos ÷ margem de contribuição %Quanto precisa vender por mês

Cada tipo de negócio tem faixas próprias de CMV e de pessoal, que variam com o cardápio e o serviço. Calcule os seus e acompanhe a evolução, em vez de copiar números de outro estabelecimento. Veja como calcular o ponto de equilíbrio.

Cozinha industrial em preto e branco com cozinheiros trabalhando.
Equipe, insumos e desperdício formam o grosso dos custos de um restaurante.

Quanto o delivery e os aplicativos realmente custam?

Cada canal tem um custo diferente, e o prato que dá lucro no salão pode dar prejuízo no aplicativo. As comissões e as taxas dos aplicativos de entrega variam por plano, região e contrato, então use os números do seu contrato.

💡 Exemplo prático (valores hipotéticos)

O hambúrguer de R$ 32,00 tem CMV de R$ 12,40, imposto de 6% (R$ 1,92) e taxa de cartão de 3% (R$ 0,96). No salão sobram R$ 16,72 para pagar pessoal, aluguel e lucro. No aplicativo, com comissão de 20% (R$ 6,40) e mesmo preço, sobram R$ 10,32 (queda de 38%). Para manter a mesma margem, o preço no aplicativo precisaria ser maior, ou o cardápio dele, diferente.

Leia também os custos ocultos dos marketplaces, que valem para aplicativos de entrega.

Como fazer o fechamento de caixa diário?

  1. Compare o relatório de vendas do sistema (ou comandas) com o dinheiro, o Pix e os comprovantes de cartão.
  2. Registre diferenças, mesmo pequenas, e acompanhe quem estava no caixa.
  3. Separe os valores por forma de pagamento: dinheiro, Pix, débito, crédito, aplicativos.
  4. Lance as sangrias e os trocos iniciais.
  5. Deposite o dinheiro em espécie com frequência e guarde o comprovante.
  6. Lance o resumo no financeiro todo dia.

Para os recebimentos em cartão, acompanhe o que foi vendido e o que cairá em cada data. A conciliação bancária confirma se o repasse chegou certo.

Clientes sendo atendidos no balcão de uma cafeteria, com letreiro luminoso ao fundo.
O caixa diário conferido evita diferenças que passam despercebidas.

Como controlar estoque e desperdício?

  • Conte o estoque de perecíveis diariamente e de secos semanalmente.
  • Use o PEPS: o que entra primeiro sai primeiro, com etiqueta de data.
  • Defina estoque mínimo e ponto de pedido para os itens de maior giro. Veja estoque mínimo e ponto de reposição.
  • Registre o desperdício (sobra de preparo, vencimento, erro) em um caderno ou sistema, com o motivo.
  • Padronize porções com balança, medidores e fichas técnicas.
  • Compare o consumo teórico (vendas × ficha técnica) com o consumo real. A diferença é perda, desvio ou erro de ficha.

Como usar a engenharia de cardápio para aumentar o lucro?

A engenharia de cardápio cruza duas informações de cada prato: quanto ele vende (popularidade) e quanto ele lucra (margem de contribuição). Isso gera quatro grupos:

GrupoVendeMargemO que fazer
EstrelaMuitoAltaProteger a qualidade, destacar no cardápio
Burro de cargaMuitoBaixaRever receita, porção ou preço aos poucos
Quebra-cabeçaPoucoAltaDar visibilidade: sugestão do garçom, combos, foto
AbacaxiPoucoBaixaReformular ou retirar do cardápio

Aplique primeiro aos dez pratos mais vendidos. A análise exige apenas vendas por item e a ficha técnica, e frequentemente revela que o prato mais popular é o que menos contribui. Use a margem de contribuição como régua.

Qual é a rotina financeira semanal de um estabelecimento de alimentação?

  • Diariamente: fechar o caixa, registrar vendas por forma de pagamento e lançar o desperdício.
  • Duas vezes por semana: contar estoque de perecíveis e conferir pedidos a fornecedores.
  • Semanalmente: calcular o CMV da semana, conferir contas a pagar da semana seguinte e comparar vendas por canal.
  • Mensalmente: fechar o DRE, atualizar as fichas técnicas com os preços de compra e rever o cardápio.
  • Trimestralmente: renegociar com fornecedores, rever preços e analisar a engenharia de cardápio.

Em negócios de alimentação, o prazo de pagamento aos fornecedores de perecíveis costuma ser curto, enquanto o recebimento no cartão e nos aplicativos é mais longo. Calcule o ciclo financeiro para não ser surpreendido por falta de caixa mesmo com a casa cheia.

Como organizar o financeiro do restaurante no Figreen?

No Figreen, você cadastra os fornecedores, lança as compras em Contas a Pagar (com vencimento) e as vendas por forma de pagamento, e acompanha o resultado no DRE com categorias como insumos, pessoal, aluguel e taxas de aplicativos. A Previsão de Caixa mostra quando as compras e a folha vencem, para você não apertar o caixa no meio da semana. Veja ainda controle financeiro de loja física.

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Fontes e referências

Conteúdo revisado em 3 de outubro de 2026. Regras, alíquotas e prazos podem mudar, por isso confirme sempre nas fontes oficiais abaixo antes de decidir.

Perguntas frequentes

O que é CMV em restaurante?

É o custo da mercadoria vendida: o custo dos ingredientes e embalagens usados nos pratos vendidos. O CMV percentual é o custo dividido pelo preço de venda.

O que é ficha técnica?

É o documento que lista os ingredientes de um prato, com quantidade, custo e modo de preparo. Serve para calcular o CMV, padronizar porções e formar o preço.

Como calcular o preço de um prato?

Calcule o custo pela ficha técnica e divida por 1 menos a soma dos percentuais de impostos, taxas, custos fixos rateados e lucro desejado. É a lógica do markup.

Delivery compensa financeiramente?

Depende da comissão e da margem do prato. Calcule o resultado de cada canal separadamente. Muitas vezes é preciso ajustar o preço ou o cardápio dos aplicativos.

Como reduzir o desperdício?

Padronize porções, use PEPS, registre o que é descartado e por quê, e compare o consumo teórico com o real.

Qual o CMV ideal?

Varia com o tipo de negócio e o cardápio. Em vez de copiar um número, calcule o seu, defina uma meta que feche o resultado e acompanhe mês a mês.

Conclusão

No negócio de alimentação, o lucro está nos detalhes: o custo de cada prato, o desperdício da semana, a comissão do aplicativo e o caixa conferido todo dia. Comece pelas fichas técnicas dos dez itens mais vendidos, feche o caixa diariamente e compare o resultado dos canais. Em poucas semanas você sabe quais pratos sustentam o negócio e quais apenas ocupam espaço no cardápio.

Movimento não é lucro. Controle é.

Organize fornecedores, caixa e resultado do seu negócio de alimentação no Figreen.

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