📋 O que você vai aprender neste artigo

  1. Por onde começar: como levantar todas as dívidas?
  2. Quanto a empresa consegue pagar por mês?
  3. Quais dívidas pagar primeiro?
  4. Como negociar com o credor?
  5. Quais armadilhas evitar na renegociação?
  6. Como resolver a causa para não se endividar de novo?
  7. Qual roteiro seguir na conversa com o banco ou fornecedor?
  8. E se a dívida for com o fisco (impostos atrasados)?
  9. Como acompanhar o plano de pagamento no Figreen?
  10. Fontes e referências
  11. Perguntas frequentes
Casal conferindo contas e boletos à mesa, com café e celular em mãos.

Para renegociar as dívidas da empresa, faça primeiro um levantamento completo (credor, valor, juros e atraso), calcule quanto o caixa consegue pagar por mês, priorize as dívidas mais caras e as essenciais para a operação e negocie sempre comparando o CET (custo efetivo total), e não só o valor da parcela. O erro mais comum é aceitar a primeira proposta para "aliviar o mês" e acabar com uma dívida maior e mais longa.

Por onde começar: como levantar todas as dívidas?

Antes de falar com qualquer credor, monte uma tabela com todas as obrigações. Sem ela, você negocia no escuro. Inclua:

  • Credor (banco, fornecedor, fisco, cartão, sócio);
  • Valor original, saldo atual e data de vencimento;
  • Taxa de juros e multa por atraso, ou o CET quando for empréstimo;
  • Garantias envolvidas (aval do sócio, bem alienado, recebíveis);
  • Consequência do atraso: protesto, negativação, corte de fornecimento, execução.

Um bom ponto de partida é o seu controle de contas a pagar. Se ele não existir, é a primeira correção a fazer.

Aperto de mãos entre duas pessoas de terno, fechando um acordo.
Negociar com números na mesa dá mais força do que pedir favor.

Quanto a empresa consegue pagar por mês?

A renegociação só funciona se a parcela cabe no caixa. Calcule a sua capacidade de pagamento assim:

Capacidade mensal = entradas previstas − custos essenciais − pró-labore mínimo

Use o fluxo de caixa projetado dos próximos 3 meses, e não o do mês passado. Considere sazonalidade e atrasos de clientes. Uma boa prática é comprometer, no máximo, uma fração do caixa livre, deixando margem de segurança.

💡 Exemplo prático

Entradas previstas: R$ 40.000. Custos essenciais (folha, aluguel, fornecedores, impostos correntes): R$ 31.000. Pró-labore mínimo: R$ 4.000. Capacidade mensal: R$ 5.000. Se a soma das parcelas propostas passa disso, a renegociação vai quebrar de novo em dois meses.

Quais dívidas pagar primeiro?

PrioridadeTipo de dívidaPor quê
1 (essenciais)Salários, tributos correntes retidos, energia, aluguelParar a operação ou ter problemas trabalhistas custa mais
2 (mais caras)Cartão rotativo, cheque especial, empréstimos emergenciaisJuros altos fazem a dívida crescer rápido
3 (com garantia)Dívidas com bem alienado ou aval pessoal do sócioRisco de perder patrimônio
4 (mais baratas)Financiamentos de longo prazo com juros baixosPodem esperar, se estiverem em dia

A lógica é simples: proteger a operação, depois atacar o que cresce mais rápido. Dívidas tributárias têm regras e programas próprios de parcelamento; consulte o contador e os canais oficiais da Receita antes de decidir.

Pessoa assinando um contrato escrito em um caderno ao lado de um notebook.
Exija o acordo por escrito: valor total, parcelas, juros e CET.

Como negociar com o credor?

  1. Procure o credor antes de atrasar, se possível. Quem avisa tem mais espaço para negociar.
  2. Leve números: o fluxo de caixa projetado e quanto você pode pagar por mês. Proposta realista ganha confiança.
  3. Peça a redução de juros e multas, o alongamento do prazo ou uma carência. Pergunte qual é a melhor condição à vista.
  4. Compare o CET, e não só a parcela. Prazo maior reduz a parcela, mas pode aumentar muito o custo total.
  5. Peça tudo por escrito: valor total, número de parcelas, juros, CET, data de início e o que acontece em caso de novo atraso.
  6. Não ofereça mais garantias do que o necessário, principalmente bens pessoais.

Para entender como comparar propostas, leia empréstimo de capital de giro e o CET.

Quais armadilhas evitar na renegociação?

  • Trocar dívida barata por cara só para ter alívio imediato.
  • Pegar novo empréstimo para pagar o antigo sem mudar a causa do problema.
  • Aceitar parcela que não cabe no caixa por pressão ou vergonha.
  • Pagar boleto de "negociador" sem conferir se é do credor oficial. Há muitos golpes nesse momento. Veja como se proteger de golpes.
  • Misturar o dinheiro pessoal com o da empresa para cobrir o buraco. Leia como separar as finanças.
Reunião de negócios com um homem de terno preocupado, apoiando a cabeça na mão.
Dívidas atrasadas pesam menos quando existe um plano que cabe no caixa.

Como resolver a causa para não se endividar de novo?

Renegociar sem corrigir a causa só adia a crise. Pergunte por que o caixa faltou:

Qual roteiro seguir na conversa com o banco ou fornecedor?

  1. Apresente-se com um plano, e não com um pedido de socorro: "Quero regularizar, e esta é a parcela que consigo pagar".
  2. Explique a causa em poucas palavras e o que mudou para evitar a repetição.
  3. Mostre números: faturamento recente, fluxo de caixa projetado e a capacidade de pagamento.
  4. Faça uma contraproposta depois da primeira oferta. A primeira proposta raramente é a melhor.
  5. Peça a simulação por escrito com CET, valor total pago e o saldo após cada parcela.
  6. Leve um tempo para decidir: compare propostas e consulte o contador antes de assinar.

💡 Exemplo comparativo (valores hipotéticos)

Dívida de R$ 30.000. Proposta A: 12 parcelas de R$ 3.000 (total R$ 36.000, custo adicional de R$ 6.000). Proposta B: 36 parcelas de R$ 1.300 (total R$ 46.800, custo adicional de R$ 16.800). A parcela B é bem menor, mas custa R$ 10.800 a mais no total. Se o caixa suportar R$ 3.000 por mês, A é mais barata; se não suportar, B pode ser o único caminho, e então vale buscar uma terceira opção com prazo intermediário.

E se a dívida for com o fisco (impostos atrasados)?

Dívidas tributárias seguem regras próprias. Em geral, é possível pedir o parcelamento dos débitos junto à Receita Federal ou à Procuradoria, e os programas, prazos, descontos e condições mudam ao longo do tempo. Antes de decidir:

  • Consulte a situação fiscal da empresa nos canais oficiais para saber exatamente o que está em aberto.
  • Veja as opções vigentes de parcelamento e seus requisitos.
  • Peça ajuda do contador, que conhece a situação da empresa e os detalhes do regime tributário.
  • Mantenha os tributos correntes em dia: um parcelamento pode ser cancelado se você atrasar as parcelas ou os tributos novos.

Para o MEI com DAS atrasado, o primeiro passo é entender o valor e as opções de regularização; veja DAS do MEI: como pagar, valor e atraso.

Como acompanhar o plano de pagamento no Figreen?

No Figreen, as dívidas renegociadas podem ser lançadas em Empréstimos e Contas a Pagar com todas as parcelas e datas. A Previsão de Caixa mostra, mês a mês, se as parcelas cabem, e os alertas avisam os vencimentos para você não atrasar de novo.

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Fontes e referências

Conteúdo revisado em 3 de outubro de 2026. Regras, alíquotas e prazos podem mudar, por isso confirme sempre nas fontes oficiais abaixo antes de decidir.

Perguntas frequentes

Como renegociar dívidas da empresa?

Levante todas as dívidas, calcule quanto o caixa paga por mês, priorize as essenciais e as mais caras, negocie comparando o CET e peça tudo por escrito.

O que é CET?

O Custo Efetivo Total reúne juros, tarifas, seguros e impostos de uma operação de crédito. É o número certo para comparar propostas, e não só a taxa de juros ou a parcela.

Qual dívida pagar primeiro?

Primeiro as essenciais à operação (salários, tributos correntes, energia, aluguel), depois as mais caras (rotativo, cheque especial) e as que têm garantia pessoal.

Posso negociar antes de atrasar?

Sim, e costuma ser melhor. Quem procura o credor antes do atraso tem mais espaço para negociar prazos e juros.

Vale pegar outro empréstimo para pagar a dívida?

Só se o novo empréstimo tiver CET menor e a causa do problema for corrigida. Caso contrário, você apenas troca de dívida e aumenta o custo.

Como evitar golpes na renegociação?

Use apenas os canais oficiais do credor, confira o beneficiário do boleto e desconfie de ofertas de desconto enviadas por mensagem de números desconhecidos.

Conclusão

Renegociar bem é uma conta, e não um ato de coragem. Com todas as dívidas na mesa, a capacidade de pagamento calculada e o CET comparado, você negocia de igual para igual e sai com um plano que cabe no caixa. O passo final é o mais importante: corrigir a causa. Preço, prazo de recebimento e reserva são o que impedem a próxima crise.

Dívida organizada é dívida que se resolve.

Acompanhe parcelas, vencimentos e previsão de caixa no Figreen.

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