📋 O que você vai aprender neste artigo

  1. O que são regime de caixa e regime de competência?
  2. Qual a diferença na prática entre os dois regimes?
  3. O Simples Nacional ainda permite escolher o regime de caixa?
  4. A DRE e a DFC usam o mesmo regime?
  5. Por que usar só um dos dois regimes esconde problema de caixa?
  6. Qual regime a sua empresa deve acompanhar no dia a dia?
  7. Como o Figreen ajuda a acompanhar os dois regimes
  8. Perguntas frequentes
Duas colunas comparando o regime de caixa, que registra pelo pagamento, e o regime de competência, que registra pela data da venda.

Regime de caixa e regime de competência são dois critérios diferentes para decidir quando uma receita ou uma despesa entra nas contas da empresa: pela data em que o dinheiro troca de mãos, ou pela data em que a venda, o serviço ou a compra efetivamente aconteceu. A escolha não muda quanto a empresa fatura no ano, mas muda completamente a leitura que o dono faz do negócio mês a mês, e a partir de 2027 essa escolha deixa de existir para o cálculo do Simples Nacional.

O que são regime de caixa e regime de competência?

O regime de caixa registra a receita ou a despesa na data em que o dinheiro entra ou sai da conta da empresa. O regime de competência registra a receita ou a despesa na data em que o fato gerador acontece, a venda, a prestação do serviço ou a compra, independentemente de quando o pagamento é feito.

Um exemplo simples: uma loja vende R$ 3.000 em 20 de outubro, para receber em um boleto de 30 dias, pago em 19 de novembro. No regime de caixa, essa venda vira receita em novembro (quando o boleto é pago). No regime de competência, ela vira receita em outubro (quando a venda foi feita), mesmo que o dinheiro só entre no mês seguinte.

Comparativo entre regime de caixa e regime de competência para a mesma venda Uma venda feita em 20 de outubro e paga em 19 de novembro vira receita em novembro no regime de caixa, mas vira receita em outubro no regime de competência. Regime de Caixa Venda em 20/10, boleto de 30 dias Boleto pago em 19/11 Receita registrada em NOVEMBRO Regime de Competência Mesma venda em 20/10 Data do pagamento não importa Receita registrada em OUTUBRO
A mesma venda cai em meses diferentes dependendo do regime escolhido, e isso muda o resultado de cada mês isoladamente.

Qual a diferença na prática entre os dois regimes?

Na prática, a diferença só aparece quando existe prazo entre a venda e o recebimento, ou entre a compra e o pagamento. Se a empresa vende e recebe tudo à vista, os dois regimes dão o mesmo resultado no mês. Quem trabalha com boleto, cartão parcelado, prazo de fornecedor ou folha de pagamento com vencimento no mês seguinte sente a diferença todo mês.

Situação Regime de caixa Regime de competência
Venda parcelada no cartão Entra conforme cada parcela cai na conta Entra inteira no mês da venda
Compra de mercadoria a prazo Vira despesa quando o fornecedor é pago Vira despesa no mês da compra
Serviço prestado em dezembro, pago em janeiro Receita de janeiro Receita de dezembro

O Simples Nacional ainda permite escolher o regime de caixa?

Sim, mas só até dezembro de 2026. A partir de 1º de janeiro de 2027, a Resolução CGSN nº 190/2026 acaba com a opção pelo regime de caixa na apuração mensal do Simples Nacional: o DAS passa a ser calculado sempre pela receita bruta total do mês, vinculada à emissão da nota fiscal, no regime de competência.

Até essa mudança, a opção pelo regime de caixa era regulada pelo artigo 18 da Lei Complementar 123/2006 e pelo artigo 16 da Resolução CGSN 140/2018: a empresa optava uma vez por ano, durante a apuração de novembro, com efeito para todo o ano seguinte, e a opção era irrevogável dentro do ano. A resolução de 2026 revoga esse trecho junto com os artigos que tratavam do controle de valores a receber (artigos 19, 20, 77 e 78 da Resolução 140/2018), fazendo parte da adequação do Simples Nacional à Reforma Tributária do Consumo.

Linha do tempo do fim da opção pelo regime de caixa no Simples Nacional Até dezembro de 2026 a empresa do Simples Nacional pode optar pelo regime de caixa para calcular o DAS. A partir de 1º de janeiro de 2027, pela Resolução CGSN 190/2026, essa opção deixa de existir e o cálculo passa a ser sempre pelo regime de competência. ATÉ DEZ/2026 DAS pode usar regime de caixa ou competência 1º JAN/2027 Resolução CGSN 190/2026: DAS só por competência
Quem hoje calcula o DAS pelo regime de caixa tem até o fim de 2026 para se organizar para a mudança.

Essa mudança é sobre o cálculo do imposto, não sobre a gestão interna da empresa. Mesmo depois de 2027, nada impede (e é recomendável) que a empresa continue acompanhando o próprio fluxo de caixa pelo regime de caixa, para saber quando o dinheiro realmente vai entrar. Veja o cálculo completo do DAS em Simples Nacional: como calcular o DAS certo.

A DRE e a DFC usam o mesmo regime?

Não. A DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) é montada em regime de competência, porque o objetivo dela é mostrar se a operação do período deu lucro, considerando as vendas realizadas mesmo que ainda não recebidas. A DFC (Demonstração do Fluxo de Caixa) é montada em regime de caixa, porque o objetivo dela é mostrar quanto dinheiro efetivamente entrou e saiu da conta.

Os dois relatórios respondem perguntas diferentes e nenhum substitui o outro: a DRE diz se o negócio é lucrativo, a DFC diz se tem dinheiro disponível para pagar as contas agora.

Por que usar só um dos dois regimes esconde problema de caixa?

Porque uma empresa pode fechar a DRE no lucro, calculada em competência, e ainda assim ficar sem dinheiro para pagar as contas do mês, medidas em caixa. Isso acontece sempre que o prazo médio de recebimento das vendas é maior que o prazo médio de pagamento das despesas.

💡 Exemplo prático

Uma prestadora de serviços fatura R$ 40.000 em março, com prazo médio de recebimento de 45 dias. As despesas do mês, salário, aluguel e fornecedores, somam R$ 28.000, com vencimento em até 15 dias. A DRE de março mostra R$ 12.000 de lucro. Mas, no caixa, boa parte dos R$ 40.000 só entra em maio, enquanto os R$ 28.000 de despesa já saíram em março e abril. Resultado: empresa lucrativa no papel, apertada na conta corrente.

Esse tipo de descasamento é comum em quem presta serviço para empresas maiores, que costumam pagar em 30, 45 ou 60 dias. Veja como dimensionar essa folga em capital de giro: a regra dos 6 meses.

DRE no lucro e caixa negativo no mesmo mês No exemplo, a DRE de março, calculada em competência, mostra 12 mil reais de lucro. O caixa do mesmo mês, calculado em regime de caixa, fica negativo porque as despesas já saíram e boa parte das vendas ainda não foi recebida. DRE de março (competência) Receita 40 mil, despesa 28 mil Lucro de R$ 12.000 Caixa de março (regime de caixa) Despesas já pagas, vendas ainda não recebidas Saldo aperta ou fica negativo
A mesma empresa, no mesmo mês: lucro no papel pela competência, aperto real no caixa.

Qual regime a sua empresa deve acompanhar no dia a dia?

O ideal é acompanhar os dois regimes ao mesmo tempo, cada um respondendo a sua pergunta: a DRE em regime de competência para saber se o negócio dá lucro, e a previsão de caixa em regime de caixa para saber se vai sobrar dinheiro no dia de pagar as contas. Usar só um dos dois é como dirigir olhando só o retrovisor ou só o painel: falta metade da informação.

  1. Feche a DRE todo mês em competência, para medir se a operação é lucrativa.
  2. Projete o caixa em regime de caixa, considerando o prazo real de recebimento de cada venda e de pagamento de cada despesa.
  3. Compare os dois: se a DRE está no lucro e o caixa aperta, o problema não é a operação, é o descasamento de prazos.

Veja a diferença entre lucro e distribuição desse lucro para os sócios em pró-labore x distribuição de lucros: qual a diferença.

Como o Figreen ajuda a acompanhar os dois regimes

No Figreen, a empresa não precisa escolher entre um regime e outro: o sistema gera a DRE automática em competência a partir das transações categorizadas, e ao mesmo tempo projeta a previsão de caixa em regime de caixa, considerando os prazos reais de contas a pagar e a receber.

  • ✅ DRE automático em regime de competência, direto das transações categorizadas
  • ✅ Previsão de caixa em regime de caixa, considerando prazos reais de recebimento e pagamento
  • ✅ Contas a pagar e a receber organizadas por data de vencimento, não só de emissão

🚀 Experimente grátis agora

Acompanhe o lucro (competência) e o caixa (regime de caixa) da sua empresa no mesmo lugar, sem planilha.

Começar grátis →

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre regime de caixa e regime de competência?

No regime de caixa, a receita ou despesa entra na data do pagamento. No regime de competência, ela entra na data da venda ou da compra, independentemente de quando o dinheiro se move.

O Simples Nacional ainda permite escolher o regime de caixa?

Sim, até dezembro de 2026. A partir de 1º de janeiro de 2027, a Resolução CGSN 190/2026 acaba com essa opção e o DAS passa a ser calculado sempre por competência.

A DRE é feita em regime de caixa ou de competência?

Em regime de competência, porque mostra se a operação do período deu lucro considerando as vendas realizadas, mesmo que ainda não recebidas.

A DFC é feita em regime de caixa ou de competência?

Em regime de caixa, porque mostra quanto dinheiro efetivamente entrou e saiu da conta da empresa no período.

Por que uma empresa lucrativa pode ficar sem dinheiro no caixa?

Porque o lucro é medido em competência e o saldo em conta é medido em caixa. Se o prazo de recebimento é maior que o de pagamento, a empresa lucra no papel e aperta na conta.

Qual regime uma pequena empresa deve acompanhar no dia a dia?

Os dois: a DRE em competência para saber se o negócio é lucrativo, e a previsão de caixa em caixa para saber se vai sobrar dinheiro para pagar as contas.

Conclusão

Regime de caixa e regime de competência não competem entre si, respondem perguntas diferentes: um mostra se o negócio dá lucro, o outro mostra se tem dinheiro na conta agora. Com o fim da opção pelo regime de caixa no cálculo do Simples Nacional a partir de 2027, a apuração do imposto fica padronizada em competência, mas a gestão interna da empresa continua precisando dos dois olhares, lado a lado, todo mês.

Acompanhe lucro e caixa no mesmo lugar.

Use o Figreen para ver a DRE em competência e o caixa em tempo real, sem planilha.

🌿 Criar conta gratuita

Leia também