📋 O que você vai aprender neste artigo

  1. O que é a curva ABC?
  2. Como fazer a curva ABC em 5 passos?
  3. Por que analisar o lucro e não só a venda?
  4. Quais decisões a curva permite?
  5. Como a curva ajuda a liberar caixa?
  6. Quais cuidados ao usar a curva ABC?
  7. Qual ferramenta usar?
  8. Fontes e referências
  9. Perguntas frequentes
Funcionário sorrindo com uma prancheta diante de prateleiras com caixas de estoque.

A curva ABC é um método simples para descobrir quais produtos sustentam o resultado da loja: ordena o catálogo por faturamento (ou lucro) e divide em três classes. Em geral, poucos itens, a classe A, respondem por cerca de 70% a 80% das vendas, enquanto muitos itens da classe C representam pouco e ocupam estoque e caixa. Com a curva, o lojista decide o que comprar mais, o que promover e o que parar de repor.

⚡ Resumo rápido

  • A curva ABC ordena os produtos pelo valor que representam: os poucos itens A concentram a maior parte do faturamento ou do lucro.
  • O faturamento engana: um produto que vende muito pode ter margem baixa; analise também o lucro por item.
  • Os itens C ocupam espaço e caixa: decida entre promoção, kit, devolução ao fornecedor ou parar de repor.
  • Refaça a curva a cada trimestre, pois o comportamento dos produtos muda com a estação e a moda.

O que é a curva ABC?

É uma classificação baseada no princípio de Pareto, segundo o qual uma minoria de itens costuma gerar a maioria do resultado. A convenção mais usada no varejo é:

Classe% acumulado do valorQuantidade típica de itensComo tratar
AAté 80%Poucos (10% a 20%)Nunca faltar, preço acompanhado, destaque na vitrine
B80% a 95%Intermediários (cerca de 30%)Reposição regular e revisão trimestral
C95% a 100%Muitos (50% ou mais)Reduzir, promover, vender em kit ou descontinuar

Os percentuais são referências. O que vale é ordenar os produtos e ver onde a curva muda de inclinação na sua loja.

Como fazer a curva ABC em 5 passos?

  1. Liste os produtos e o valor vendido no período (3 a 12 meses).
  2. Ordene do maior para o menor valor.
  3. Calcule a participação de cada item no total e some a participação acumulada.
  4. Classifique: A até 80% acumulados, B até 95%, C o restante.
  5. Repita com o lucro, não apenas com o faturamento, e cruze as duas listas.

💡 Exemplo: loja de variedades com 8 produtos

  • Produto 1: R$ 18.000 (30%), acumulado 30%, classe A
  • Produto 2: R$ 12.000 (20%), acumulado 50%, classe A
  • Produto 3: R$ 9.000 (15%), acumulado 65%, classe A
  • Produto 4: R$ 6.000 (10%), acumulado 75%, classe A
  • Produto 5: R$ 4.200 (7%), acumulado 82%, classe B
  • Produto 6: R$ 3.600 (6%), acumulado 88%, classe B
  • Produto 7: R$ 3.000 (5%), acumulado 93%, classe B
  • Produto 8: R$ 4.200 (7%), somado a outros itens de baixa saída, classe C

Total de R$ 60.000 em vendas. Os quatro primeiros produtos somam R$ 45.000, isto é, 75% do faturamento com metade do catálogo analisado. A classe C concentra itens que pouco contribuem e ocupam espaço.

Funcionário de estoque olhando um tablet entre prateleiras altas.
Com os números de venda por produto, a curva ABC mostra onde está o dinheiro.

Por que analisar o lucro e não só a venda?

Porque o produto mais vendido nem sempre é o mais lucrativo. Um item com margem de 10% e giro alto pode render menos do que um item de margem de 40% com giro médio. Por isso a curva ABC deve ser feita com a margem de contribuição, que desconta custo, taxas e comissão. Veja o cálculo em margem de contribuição.

ProdutoVendasMargemLucro bruto
A (alto giro)R$ 18.00012%R$ 2.160
B (giro médio)R$ 9.00040%R$ 3.600
C (giro baixo)R$ 3.00055%R$ 1.650

O produto de maior venda (R$ 18.000) rende R$ 2.160 de lucro bruto, menos do que o de venda média (R$ 3.600). Se a loja usasse só o faturamento, daria o melhor lugar da vitrine ao item que rende menos.

Quais decisões a curva permite?

  • Itens A: garantir estoque, negociar preço e prazo com o fornecedor, evitar ruptura e cuidar do preço. Veja estoque mínimo e ponto de reposição.
  • Itens B: manter reposição regular e testar aumento de preço ou combo.
  • Itens C: avaliar se completam o mix (o cliente leva junto) ou se ocupam espaço. Se não, promover, vender em kit ou devolver.
  • Compras: concentrar o pedido de maior volume nos itens A e B.
  • Preço: revisar a margem dos itens A, pois pequenas mudanças geram grande efeito.
Homem de colete conferindo prateleiras com leitor de código e tablet.
Itens da classe A merecem conferência de estoque e preço com mais frequência.

Como a curva ajuda a liberar caixa?

Some o valor de estoque de cada classe. Se a classe C representa 5% das vendas, mas 35% do dinheiro parado em estoque, há dinheiro preso em itens que giram pouco. Liberar esse caixa com promoção ou devolução financia a reposição dos itens A. O raciocínio é o mesmo de giro de estoque e estoque parado.

💡 Exemplo: caixa parado na classe C

Estoque total de R$ 40.000 ao custo. Classe A: R$ 12.000. Classe B: R$ 10.000. Classe C: R$ 18.000, ou 45% do estoque. Se a loja vender metade desse estoque C (R$ 9.000 ao custo) com desconto suficiente para recuperar o custo, libera R$ 9.000 em caixa para repor itens A, que giram mais rápido. Sem a curva, o dono continuaria comprando o que parece bonito e não o que vende.

Quais cuidados ao usar a curva ABC?

  • Produtos novos ainda não têm histórico: dê um prazo antes de classificar.
  • Sazonalidade: um item de Natal pode ser C durante o ano e A em dezembro. Use períodos comparáveis.
  • Itens complementares: alguns itens C atraem o cliente ou completam o pedido, então avalie o impacto antes de cortar.
  • Período: menos de 3 meses distorce, enquanto mais de 12 esconde mudanças recentes.
Funcionário trabalhando em uma mesa cercado de caixas e papéis de pedidos.
Pedidos de compra devem priorizar o que gira e dá margem, não o que parece bom no catálogo.

Qual ferramenta usar?

Uma planilha resolve para até algumas centenas de itens: coluna de produto, vendas, ordenação, percentual e acumulado. Acima disso, o sistema de vendas da loja ou o ERP costuma ter o relatório pronto. O financeiro entra com a margem real: custo, taxas, comissão e perdas, que o relatório de vendas muitas vezes não considera. No Figreen o comércio lança as contas, acompanha o DRE e o fluxo de caixa e vê se o lucro total acompanha a estratégia de mix. O sistema não calcula a curva ABC por produto nem controla o estoque por item.

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Fontes e referências

Conteúdo revisado em 27 de outubro de 2026. Regras, alíquotas, prazos e taxas podem mudar, por isso confirme sempre nas fontes oficiais abaixo antes de decidir.

Perguntas frequentes

O que é a curva ABC?

É a classificação dos produtos por valor (vendas ou lucro) em três classes: A concentra a maior parte do resultado com poucos itens, B é intermediária e C reúne muitos itens de pouco impacto.

Como fazer a curva ABC no Excel?

Liste produto e valor vendido, ordene do maior para o menor, calcule o percentual de cada item e o acumulado, e classifique em A (até 80%), B (até 95%) e C (o restante).

Curva ABC por faturamento ou por lucro?

As duas. O faturamento mostra o que gira; o lucro mostra o que rende. Itens de alta venda e baixa margem podem render menos que itens de venda média e boa margem.

O que fazer com os produtos da classe C?

Avaliar um a um: se completam o mix, mantenha; se só ocupam espaço e caixa, promova, venda em kit, devolva ao fornecedor ou pare de repor.

Com que frequência refazer a curva ABC?

A cada trimestre ou a cada mudança de estação, pois o comportamento dos produtos varia com a época, a moda e a concorrência.

O Figreen faz a curva ABC dos produtos?

Não. O Figreen é um sistema financeiro. A curva por produto vem do sistema de vendas ou de uma planilha; o Figreen mostra o DRE, o fluxo de caixa e o resultado total da loja.

Conclusão

A curva ABC mostra, em poucos números, onde está o dinheiro da loja. Com os itens A protegidos, os B acompanhados e os C tratados, o lojista compra melhor, libera caixa e coloca na vitrine o que realmente dá lucro.

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